sábado, 23 de julho de 2011

Sete Necessidades Irredutíveis da Infância.

"Primeiro, toda a criança precisa de um ambiente seguro e protegido que inclua pelo menos uma relação estável, previsível, reconfortante e protectora com uma pessoa adulta, não necessariamente um dos progenitores biológicos, que estabeleça um compromisso pessoal a longo prazo com o bem estar diário da criança, e que tenha os meios, o tempo e as qualidades pessoais para o realizar...
"Segundo, relações consistentes que promovam o desenvolvimento com algumas pessoas que lhe prestam cuidados, incluindo o Educador responsável, desde cedo e durante a infância, são os marcos fundamentais para a competência emocional e intelectual, permitindo que a criança estabeleça um elo de conexão profundo que se desenvolve num sentido de humanismo partilhado e, em última análise de empatia e de compaixão. As relações com os pais e a equipa de educadores do infantário têm de ter esta estabilidade e consistência...

"Terceiro, necessidade de interacções ricas, progressivas... (As crianças) não conseguem desenvolver um sentido na sua própria intencionalidade ou das fronteiras entre o mundo interno e o externo sem trocas íntimas com pessoas que elas conhecem bem e em quem confiam profundamente...

"Quarto, cada criança e família precisa de um ambiente que permita que ambas progridam através dos estádios de desenvolvimento com um estilo próprio, ao seu próprio ritmo...

"Quinto, as crianças necessitam de oportunidades de experimentação, de procura de soluções, de riscos e mesmo de falhanços em tarefas que tentam realizar. A partir da experimentação de diversas abordagens, da procura de novos aliados e da avaliação de todas as opções, emergem a preserverança e a auto-confiança necessárias para ter sucesso em qualquer esforço empreendedor...

"Sexto, as crianças precisam de limites estruturados e claros. Aprendem a construir pontes entre os seus pensamentos e os seus sentimentos quando o seu mundo é previsível e respondente...

"Sétimo, para alcançar estes objectivos, as famílias precisam de vizinhanças e de comunidades estáveis. Os cuidados apropriados, consistentes e profundamente envolventes de que a criança necessita para progredir através dos níveis de desenvolvimento exigem adultos que são maduros, empáticos, e emocionalmente acessíveis...                                                                          
 - Stanley Greenspan (1997, pp. 264-2








sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sou Educador(a) de Infância

Sou educadora : Quando digo que sou educadora de infância em geral , respondem com um “Ah” Tão insípido, que gostaria de dizer:

Em que outra profissão poderias pôr laços no cabelo, Fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs?

Onde te diriam todos os dias “És linda”?!!!

Em que outro trabalho te abraçariam para te dizerem o quanto te querem?

Onde serias tão importante que pudesses chegar à estrela do desfile… para lhe limpar os macacos ?!

Em que outro lado te esquecerias das tuas tristezas Para atender a tanto joelho esfolado, e coração afligido?

Onde receberias mais flores?

Onde mais poderias iniciar na escrita uma mãozinha que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro?

Em que outro lugar receberias de presente um sorriso como este?

Em que outro sítio te fariam um retrato grátis?

Em que outro lugar as tuas palavras causariam tanta admiração?

Em que trabalho te receberiam de braços abertos depois de teres faltado 1 dia?

Onde poderias assistir , na 1ª fila, à execução de grandes obras de arte?

Onde poderias aprofundar os teus conhecimentos sobre bichos da seda, caracois, formigas e borboletas?

Em que outro sítio derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes?

Sinto-me GRANDE Trabalhando com pequenos

A todos os educadores de infância, que tanto semeiam para que outros recolham

A todos os que escolheram esta profissão…

obrigado !

Traduzido e adaptado de : “ Soy Maestra

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Novos paradigmas da educação pré-escolar

O desenvolvimento tecnológico que hoje assistimos proporcionou a quebra de barreiras, permitindo rapidamente o acesso ao conhecimento. Mas a informação não é necessariamente conhecimento e o aluno necessita da orientação do professor. De facto, a introdução do computador no contexto educativo, nomeadamente fazendo parte dos curricula desde o ensino básico, não deve ser vista apenas como uma ferramenta audiovisual, mas que se torne um elemento activo nas salas, tirando o maior partido das suas potencialidades, pelo que, o educador necessita de adoptar um novo paradigma de aprendizagem.
Cabe ao educador repensar a educação, criar novas formas de ensinar e aprender, aperfeiçoar-se e habilitar-se ao uso destes instrumentos, inovar numa busca constante na selecção de conteúdos, de novos modelos e paradigmas, partindo da realidade vivencial das crianças. Neste pressuposto, o uso de meios informáticos aparece já contemplado, «a partir da educação Pré-escolar, pode ser desencadeadora de variadas situações de aprendizagem, permitindo a sensibilização a um outro código, o código informático, cada vez mais necessário» (Orientações Curriculares para a educação Pré-escolar, 1997:72).
Por isso, a escola tem que reformular os seus processos de aprendizagem e também repensar um novo paradigma de escola, visto que a nova geração entra no sistema de ensino com muitas competências e familiaridades com o uso de artefactos tecnológicos. Jamais podemos ignorar que a tecnologia está hoje presente em toda a parte, «porque ela é um fenómeno que permanece e substancialmente se tem vindo a constituir no modo, no meio e no contexto da acção dos homens no mundo» (Ilharco, 2004:15). Neste sentido, não podemos usar de forma indevida esta ferramenta que se apresenta como um excelente parceiro de enriquecimento das práticas educativas, sendo perfeitamente possível o uso da web pelas crianças que frequentam o jardim-de-infância.
Todas estas mudanças profundas levam-nos a nós educadores a reenquadrar os conteúdos, as estratégias, as didácticas específicas, através dos processos de comunicação interactiva. Significa que este tipo de aprendizagens está fundamentado nos princípios da teoria construtivista, a qual, em termos muito genéricos, concebe o conhecimento como uma construção realizada pelo aluno em interacção com o meio. Esta teoria de aprendizagem difere do Behaviorismo e do Cognitivismo, uma vez que, para os construtivistas, não é o professor que ensina, mas sim o aluno que aprende. Apresenta, contudo, alguma relação com o Cognitivismo, na medida em que pressupõe a capacidade do aluno aprender através da sua própria construção mental de significados. São vários os teóricos associados a esta corrente: Piaget, Dewey, Bruner, Vygotsky, entre outros. Segundo esta corrente, o papel do professor/educador passa de transmissor de conhecimentos para facilitador de aprendizagens, o que provoca profundas implicações em toda a planificação!...



quinta-feira, 30 de junho de 2011

A propósito da unidade curricular: Literatura Infanto-Juvenil e Expressão Poética

É sempre bom relembrarmos a citação de Daniel Pennac:

«Excelentíssimas crianças,
Se eu fosse vocês, a primeira coisa que pediria à professora ao entrar em sala de aula, pela manhã, seria: “Professora, leia uma história para nós!” Não existe melhor maneira de começar um dia de trabalho! E no final do dia, quando a noite chega, meu pedido ao adulto mais próximo seria: “Por favor, conte uma história para mim!” Não existe melhor maneira para escorregar nos lençóis da noite! Mais tarde, quando vocês já forem grandes, lerão para outras crianças aquelas mesmas histórias. Desde que o mundo é mundo e que as crianças crescem, todas estas histórias escritas e lidas têm um nome muito bonito: literatura.»
A literatura infantil sempre me entusiasmou e agora que o Plano Nacional de Leitura quer promover hábitos de leitura, estou certa que as tecnologias poderão ser um recurso poderosíssimo a considerar. Cabe-nos a nós Educadores agirmos, pois a intervenção desde a primeira infância é um princípio fundamental para a criação de futuros leitores.
A questão não passará certamente em utilizar ou não as novas tecnologias na criação de obras para a infância, mas sobretudo, saber se essas tecnologias modificarão o paradigma do livro infantil, tal como ele é –remetendo para quem lê ou ouve ler, para o mundo da fantasia. Contudo, parece-me que, se uma obra for lida no computador ou noutro qualquer artefacto tecnológico e causar momentos prazer tal como nos livros, podemos concluir que afinal a magia se cumpre. Significa que, uma coisa não substitui a outra, mas sim, cada uma seduz na sua forma de expressar a arte. Pela experiência pessoal constacto diáriamente que, as crianças na idade pré-escolar, sentem-se muito atraídas pelo colorido, imagens e som, o que poderá constituir uma vantagem para a utilização das TIC na divulgação e promoção do livro e da leitura.



terça-feira, 14 de junho de 2011

Princípios didácticos do uso do computador

Por: Vera Lúcia Camara F. Zacharias é mestre em educação:

• não ter como objetivo e ensino da computação pela computação.

• as estratégias de utilização devem ser definidas em função da proposta pedagógica da escola, em sintonia com o uso dado ao computador.

• ser compreendido pelos docentes como mais uma ferramenta para realizar e/ou complementar a construção de conceitos em quaisquer áreas de atividades, através de uma abordagem lúdica.

• permitir a livre exploração pela criança do computador, como ferramenta para resolver problemas ou realizar tarefas como desenhar, pintar, analisar, classificar, seriar, abstrair, estabelecer relações, escolher alternativas de ação etc.

• ter o projeto da Informática Educativa dirigido por um profissional que tenha não só o conhecimento da máquina e de seus programas, mas que saiba como o aluno constrói o seu conhecimento, as etapas do desenvolvimento infantil, para que se possa realizar escolhas dos softwares adequados.